Eleições, parte 2 – comentários gerais I

24/06/2010

Opa, não esqueci da série, não! Só tava precisando de um tempo para colocar tudo no papel na tela. Antes de falar sobre os sistemas de votação e de distribuição desses votos, vou falar sobre as eleições brasileiras em geral. Mas antes de começar, vale avisar que neste e nos próximos posts vou falar de tudo. Pode parecer que estou dizendo muita coisa óbvia, que todo mundo já sabe. Mas existem muitas ideias erradas sobre o tema, e muitos detalhes que são óbvios para uns e desconhecidos para outros. Além disso, é importante ter todas as informações claras para se conhecer e discutir o sistema político.

Temos eleições regularmente, de dois em dois anos. Elas costumam ser categorizadas em dois tipos: gerais e municipais. Cada uma acontece de quatro em quatro anos, intercaladas. Originalmente, pela Constituição de 1988, o mandato do presidente era de 5 anos, mas foi diminuído para 4 em 1994. Por isso, a primeira eleição para presidente ocorreu em 1989, enquanto as eleições gerais foram em 1990; depois disso ficaram juntas. As atuais são as sextas eleições gerais desde a nova Constituição (1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010). Nesse período, foram seis eleições municipais (1988, 1992, 1996, 2000, 2004, 2008). Além das eleições regulares, podem ocorrer eleições extraordinárias, quando, por exemplo, presidentes, governadores ou prefeitos (e respectivos vices) morrem ou perdem o mandato. Fora as eleições, também existem os referendos, como os de 1993 (sobre a forma e sistema de governo) e de 2005 (sobre a venda de armas de fogo).

Nas eleições gerais, elegemos os executivos federal e estaduais: presidente e governadores (e respectivos vices). Também os legislativos federal e estaduais: parte dos senadores (mais sobre isso depois), deputados federais e deputados estaduais (e suplentes de todos eles). Não há eleições separadas para vices e suplentes de senadores; eles integram a chapa dos titulares. No caso dos deputados federais e estaduais (e vereadores, abaixo), o sistema é outro, mas falarei disso no post sobre eleições proporcionais.

Nas eleições municipais, elegemos prefeitos (poder executivo municipal) e vereadores (legislativo municipal). Valem as mesmas observações do parágrafo anterior.

Falei sobre quem se elege, mas não falei sobre quem elege. Como o post já tá ficando grande, essas considerações (e umas outras), ficam para o próximo. Esta parte foi mais “burocrática”, a próxima vai ser mais pessoal e de ideias. Talvez amanhã mesmo (hã… hoje?).

Se alguém tiver dúvidas do que foi falado, pergunte, que eu vou atrás da resposta. Meu objetivo é justamente ir atrás de informação. Se alguma parte não ficar clara, também é só perguntar, claro.


As sombras de Hiroshima e Nagasaki

07/08/2009

Hiroshima depois da queda da bomba

Hoje foi o aniversário de 64 anos da pior tragédia da história humana. Nos dias 6 e 9 de agosto, os Estados Unidos lançaram duas bombas  atômicas, sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente. Nesses dois dias, a crueldade sempre presente na guerra se elevou a um nível nunca antes visto. Não interessa o debate sobre se as bombas foram ou não inevitáveis, ou uma tragédia menor que a continuação do conflito. Elas foram o ato mais cruel da história da humanidade. Destruição em massa, instantânea e sem escapatória. Quase não há ruínas, apenas o solo liso. Não há corpos e enterrar, pertences a procurar, lembranças dos que se foram. Eles simplesmente desapareceram da face da terra. Outros tantos carregaram cicatrizes horrendas, físicas e mentais pelo resto da vida. E o mundo mudou para sempre.

Hoje, sessenta e quatro anos depois, eu, que não tenho nada a ver com o conflito, com as bombas, com Hiroshima, Nagasaki, Japão, Estados Unidos, nem nada, que poderia considerar tudo isso apenas mais um fato da história; eu me encontro chorando sozinho no quarto, pensando no horror puro e absoluto que tudo isso representa. Chorando, pensando no nada, no vazio que ocupou o lugar de todas aquelas pessoas. Pensando em como, depois desse dia, o mundo viveu com um medo que pode muito bem segui-lo até o túmulo. Em como a decisão de uns poucos idiotas pode acabar insantaneamente com a vida de tanta gente. Num ataque armado, numa invasão, num bombardeio, até num campo de concentração existe luta, resistência, fuga, no mínimo esperança de alguma possibilidade de sobrevivência. Na bomba atômica não existe nada, e dela não sobra nada. É uma catástrofe natural feita por pessoas. Com a diferença que a catástrofe é um acontecimento terrível, mas uma dizmação nuclear é um acontecimento terrível e cruel.

Não podemos nunca esquecer dessas duas cidades. De todas essas pessoas vaporizadas e desse deserto plano que mostram a crualdade máxima que a guerra pode fazer. Não podemos esquecer porque é o horror e o medo nas nossas mentes que impedem que alguém tenha a mesma ideia de novo. Quando esquecermos estamos fadados a repetir o erro.


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