As sombras de Hiroshima e Nagasaki

07/08/2009

Hiroshima depois da queda da bomba

Hoje foi o aniversário de 64 anos da pior tragédia da história humana. Nos dias 6 e 9 de agosto, os Estados Unidos lançaram duas bombas  atômicas, sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente. Nesses dois dias, a crueldade sempre presente na guerra se elevou a um nível nunca antes visto. Não interessa o debate sobre se as bombas foram ou não inevitáveis, ou uma tragédia menor que a continuação do conflito. Elas foram o ato mais cruel da história da humanidade. Destruição em massa, instantânea e sem escapatória. Quase não há ruínas, apenas o solo liso. Não há corpos e enterrar, pertences a procurar, lembranças dos que se foram. Eles simplesmente desapareceram da face da terra. Outros tantos carregaram cicatrizes horrendas, físicas e mentais pelo resto da vida. E o mundo mudou para sempre.

Hoje, sessenta e quatro anos depois, eu, que não tenho nada a ver com o conflito, com as bombas, com Hiroshima, Nagasaki, Japão, Estados Unidos, nem nada, que poderia considerar tudo isso apenas mais um fato da história; eu me encontro chorando sozinho no quarto, pensando no horror puro e absoluto que tudo isso representa. Chorando, pensando no nada, no vazio que ocupou o lugar de todas aquelas pessoas. Pensando em como, depois desse dia, o mundo viveu com um medo que pode muito bem segui-lo até o túmulo. Em como a decisão de uns poucos idiotas pode acabar insantaneamente com a vida de tanta gente. Num ataque armado, numa invasão, num bombardeio, até num campo de concentração existe luta, resistência, fuga, no mínimo esperança de alguma possibilidade de sobrevivência. Na bomba atômica não existe nada, e dela não sobra nada. É uma catástrofe natural feita por pessoas. Com a diferença que a catástrofe é um acontecimento terrível, mas uma dizmação nuclear é um acontecimento terrível e cruel.

Não podemos nunca esquecer dessas duas cidades. De todas essas pessoas vaporizadas e desse deserto plano que mostram a crualdade máxima que a guerra pode fazer. Não podemos esquecer porque é o horror e o medo nas nossas mentes que impedem que alguém tenha a mesma ideia de novo. Quando esquecermos estamos fadados a repetir o erro.


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